Propósito

O interesse de transformar matéria é algo que me atravessa desde de criança. Desde que me lembro de lembrar, tenho em mim uma vontade intrínseca de criar, alterar o estado das coisas com as mãos. As argilas do rio se tornavam insumos, matéria-prima, e depois de transformadas, eram obra de arte de uma criança que brincava de inventar. Na areia, criava labirintos. E as paredes lá de casa, infinitas possibilidades.

Aos nove anos ganhei um livro que ensinava diferentes tipos de nó. Aprendi e apliquei em pulseiras de tecido com miçangas, que vendia no intervalo das aulas, na escola. Depois me interessei pela cerâmica, elas me lembravam minhas brincadeiras de criar com as argilas do rio de quando eu era criança, agora com mais técnica, mas ainda no clima da brincadeira, fazia algumas e pintava um tanto de outras. Em seguida, corte e costura, desenho e aquarela. Foi assim, ao longo da vida, que fui percebendo que meu desejo latente de tentar o novo não acabaria nunca.

A vida adulta me trouxe outras muitas paixões, entre elas, a arquitetura. A beleza das formas mais simples e a história por trás de cada traço me instigava. Assim como brincar com volumes e proporções. A sensação era de que qualquer coisa podia ser construída. Mas o não fazer com as minhas próprias mãos cessava o fluxo da minha liberdade criativa.

Durante a graduação de arquitetura, conheci um professor de ourivesaria e foi ali que tudo mudou, ou melhor, se transformou. Enquanto polia técnicas e desenvolvia novas formas, buscava me expressar através do desenvolvimento tridimensional de conceitos abstratos. Sensível aos meus próprios impulsos, desenvolvi novos objetos, dessa vez de metal, e me lancei ao mundo, sem saber muito quem era. O fazer era como um expurgo de um interior desconhecido mas sentido.

Depois de explorar as técnicas tradicionais a cabeça se torna um novo lugar para a expressão. Aumento a escala e me insiro em tudo que crio. Vejo aquela jóia objetual estranhamente plausível e começo a me questionar sobre qual corpo é esse. Meu processo criativo expande a funcionalidade de objetos de vestir, que transmutam e extinguem a ociosidade. Para além do corpo crio os objetos contemplativos. Busco sua relação com o ambiente, casa e corpo, como se os dois fossem um só. Como esculturas que descansam em casa.(Coven, Trama, Somos e [A] Cerca). Depois de muita terapia, cursos e grupos de estudos sobre arte e joalheria, me aprofundando e me apropriando do desconhecido, começo a entender o que eu buscava em tudo que fazia, mesmo quando fazia sem achar que estava buscando.

Sentir. Tudo parte deste estado de observação. Me entrego às pesquisas do ser, dos “porquês” e “praques” fazemos o que fazemos ou somos. Me aproprio das pluralidades do ser e expando as possibilidades do criar. Entendo que estar e ser não se permitem juntos, é necessário transitar.

Por algum tempo busquei uma única identidade, até entender e abraçar a minha própria multiplicidade. Assim, imbuída pelas minhas constantes mudanças me permito criar objetos que expressam o sentir, seja com diferentes volumes e propósitos, para desenvolver uma experiência sensorial através do uso de cada peça. Sou movida pelo desejo da liberdade de expressão e do ato de pensar. E transitar entre os materiais ainda não explorados é outro fascínio.

Criar novos sentidos me impulsiona. Do conceito a materialização, os objetos celebram a liberdade, a multiplicidade e as nossas vontades.

Aqui, os objetos contam histórias.

Objetos

Divido minhas criações em três segmentos:

Nas coleções, os objetos são, de certa forma, tradicionais ao olhar. Jóias, em sua maioria de prata e ouro, que podem ser usadas como brincos, anéis, colares e pulseiras.
Podendo alguns deles se transformar e passear pelo corpo, o que chamo de objetos mutáveis.

Nas séries, abrigo os objetos que fogem do comum ou que ultrapassam a escala convencional, transitando entre corpo e ambiente. Objetos contemplativos que contam histórias do nosso tempo.

E por fim, os projetos, onde me dedico ?parcerias e projetos especiais para marcas e clientes finais.

Processos

Cada objeto é pensado e desenvolvido por mim e com ajuda de alguns colaboradores internos ou terceirizados. Hoje, no atelier, somos eu e meu braço direito, o Tarcísio. Eu crio e desenvolvo o protótipo e ele toma conta da produção. Cada peça requer seu próprio processo, podendo ser desenvolvida completamente ?mão dentro da oficina ou usando processos externos.

Sobre
mim

Aos nove anos ganhei um livro que ensinava diferentes tipos de nó. Aprendi e apliquei em pulseiras de tecido com miçangas, que vendia no intervalo das aulas, na escola. Depois me interessei pela cerâmica, elas me lembravam minhas brincadeiras de criar com as argilas do rio de quando eu era criança, agora com mais técnica, mas ainda no clima da brincadeira, fazia algumas e pintava um tanto de outras.?Em seguida, corte e costura, desenho e aquarela. Foi assim, ao longo da vida, que fui percebendo que meu desejo latente de tentar o novo não acabaria nunca.